terça-feira, 17 de maio de 2016

FIM DO MINISTÉRIO E CRIAÇÃO DA SECRETARIA NACIONAL DE CULTURA

SECRETARIA NACIONAL DE CULTURA TÁ ÓTIMO! TÁ JUSTO! NUM MOMENTO TÃO CRUCIAL. TÃO CHEIO DE OUTRAS NECESSIDADES.

Assim diz Marcelo Madureira:

"O Brasil está saindo de uma hecatombe. Em algumas semanas teremos uma ideia do tamanho da devastação promovida pelo lulopetismo em mais de 13 anos no poder. É como se estivéssemos saindo de uma guerra em que fomos derrotados. A conta chegou e a sociedade brasileira que vai ter que, com o seu trabalho e sacrifício, tapar esse enorme buraco. Vai ser muito duro, pessoal…
O Brasil está quebrado.
O mais desolador é saber que os mais sacrificados nessa história são os pobres, aqueles que não têm nenhuma economia, nenhuma poupança, nenhuma “gordura” para queimar. Endividados e desempregados, a saúde pública em frangalhos, sem acesso à Educação e a violência “comendo solta” nas favelas e periferias.
Temos aí o presidente Michel Temer. E Temer é o que temos dentro dos princípios constitucionais e da democracia. Não é o governo dos meus sonhos, mas é um governo apesar dos piccianis, kassabs e que tais. Reclamam que no Ministério não tem mulheres, nem negros ou índios. É fato. Mas também não tem, me parece, demagogia.
É tempo de pacificar o país e dar as mãos para nos ocupar dos grandes problemas nacionais. O resto fica para depois.
Temos que ser generosos, desprendidos e pensar no bem comum.
Neste contexto o que me deixa perplexo é a reação de egoísmo corporativista da classe artística injuriada porque o Ministério da Cultura foi incorporado ao Ministério da Educação.
Nossos artistas não são diferentes do resto dos brasileiros. No fundo e no raso, todos nós sonhamos com uma “boquinha” no Estado. Se for pobre, as migalhas de uma “Bolsa Qualquer Coisa” já estão de bom tamanho. A classe média batalha por um emprego público, que não cobra desempenho nem demite, e os ricos adoram uma Bolsa BNDES, um incentivo fiscal, um financiamento do Banco do Brasil, uma obra superfaturada… qualquer coisa serve. Francamente, desse jeito não se constrói Nação nenhuma.
Nós brasileiros temos que aprender a diferença entre trabalho e emprego. O trabalho gera riqueza e constrói o futuro, o emprego empurra o futuro com a barriga.
Na minha opinião, o Ministério da Cultura se preocupa mais com os artistas (sempre os mesmos) do que com a Cultura. A Cultura de um povo não é propriedade privada da classe artística.
Quanto menos Estado melhor. Menos aparelho de Estado significa mais eficiência e eficácia na aplicação de políticas públicas.
Acredito que as atividades culturais que realmente necessitam de apoio do Estado – vale dizer, do dinheiro público – são aquelas que comprovadamente se mostram incapazes de se autossustentar: as orquestras sinfônicas, os museus, as manifestações folclóricas, o artesanato…
E quem é que no Ministério da Cultura vai dizer qual projeto e quem deve ser beneficiado por dinheiro público? Faz sentido que o Estado subsidie a árvore de Natal do Bradesco ou o Circo de Soleil? Poxa, o Circo Garcia, que eu saiba, percorre o Brasil de norte a sul sem Lei Rouanet.
Depender de governo faz do artista refém dos poderosos de plantão. O que o artista de verdade quer senão a sua liberdade de criação?
Artistas consagrados precisam de dinheiro público? Será que não conseguem viver dos seus admiradores?
A atividade artística é um segmento da Cultura. É muito importante, mas é um segmento. Na medida em que o trabalho artístico é uma profissão, um meio de se ganhar a vida, trata-se também de um negócio. É o Show Business.
Há que se separar o que é show business do que é Cultura, como se separa Pesquisa Básica de Pesquisa Aplicada.
Nossos artistas reclamam que sem a ajuda do Estado não conseguem produzir seus espetáculos. Não se consegue mais viver de bilheteria, temporadas e excursões, como já se viveu antigamente (e sem leis de incentivo). Verdade. Se não se vive de bilheteria é porque algo está muito errado. Por que será que os nossos artistas e produtores culturais não conseguem rever os seus custos de produção? Quanto custa hoje o aluguel de um teatro? Um figurino? Um iluminador? Um contrarregra? Esses valores são reais? (com trocadilho, faz favor).
Será que o talento de nossos artistas é tão grande que, sem o adjutório do governo, apreciá-lo fica fora de alcance do bolso do povo?
Devemos referenciar os nossos custos e cachês com a realidade do país. Temos também que aumentar a eficiência e a produtividade da mão de obra em nossas produções culturais.
Ninguém faz arte por caridade, muito pelo contrário. E isso eu entendo e justifico. Mas os valores têm que se adequar à nossa realidade. Ou então que se vá tentar a sorte em Hollywood.
Se a produção é cara, o ingresso é caro e o teatro e o cinema ficam vazios. Viram igreja evangélica. E, querendo ou não, religião também é cultura.
Outra coisa que tem que acabar é esse negócio de meia-entrada, coisa que só beneficia os picaretas e a indústria de carteirinhas de estudante e de idoso.
Nossa classe artística tem que entender que o dinheiro das leis de incentivo vem da renúncia fiscal do governo, vem do bolso do cidadão que, além de Cultura, também precisa de saneamento, educação, saúde, transporte, emprego, segurança… Não dá para comprar tudo, “crianças”, e além do mais o Tesouro está falido. Está falido e quem “quebrou” o país foi o PT, Lula e sua quadrilha e seus comparsas. Procurem saber com o juiz Sérgio Moro em Curitiba.
Sinto muito, pessoal, mas desta vez não vai dar para ver o Luiz Carlos Barreto, vulgo “Barretão” (parece apodo de bandido), na cerimônia de posse já pendurado no saco do ministro da vez. Afinal, parafraseando o bardo: uma verba é uma verba, é uma verba.
A arte é prioridade. O artista, pelo menos no momento, não é uma prioridade. Tem que ter, além da cultura, hospital, educação, segurança. E o dinheiro, infelizmente, não dá para tudo; tem que ter prioridades.
Estou iniciando um novo negócio com as minhas economias e o dinheiro de investidores privados que confiam no meu trabalho. Estou fundando uma produtora de conteúdo para internet. Para isso conto com a minha equipe de colaboradores. Estamos todos no risco e com muita vontade de trabalhar e sermos todos bem-sucedidos. Só dependemos de nós mesmos e isso é muito bom!
Não devemos favores a ninguém e queremos ganhar dinheiro, muito dinheiro, divertindo e informando o público. Não tem nada de feio em ganhar dinheiro honestamente.
Jack Warner, fundador da Warner Brothers, disse para sua mãe: “Vou ficar rico! Inventei um negócio que as pessoas pagam antes de ver e depois saem felizes!”.
O artista tem que ir aonde o povo está. Há mais de um ano, Hubert e eu publicamos o Agamenon religiosamente, toda quinta-feira, no site O Antagonista. Por esse trabalho, até hoje não ganhamos um tostão. Se isso não se chama compromisso com a arte, então me digam o que é.
Neste momento histórico, todos temos que ser generosos e confiar na nossa capacidade de trabalho. Só assim, no futuro, vamos nos orgulhar do que fizemos nestes tempos tão difíceis.
E tenho dito."

Um comentário:

  1. Pronto... voltou atrás... Temer assume o pepino. Mas será necessária uma Reforma.

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